Admirável Tiki Novo

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O verão teoricamente vai se encerrar, mas psicologicamente parece insistir em tomar uma saideira antes de ir embora. É fato de que vivemos em um país tropical e o calor na maioria do território nacional é quase onipotente e onipresente.

Os conscientes sobre moda que ficam de olho nos detalhes já se depararam com a palavra Tiki pelo menos uma vez em alguma coleção estilo praiana. Seja este ano, ano passado, ou retrasado as influências deste culto retornam com mais ou menos peso. A convite do Bazar Pop vim explicar sobre as origens deste estilo, meu nome é Coronel Von Lehmann, caçador de Tikis e guia de faça você mesmo.

Desmistificando a estranheza deste nome português, Tiki é uma palavra associada ao calor de mundos selvagens, exóticos e tropicais salpicados com uma dose de mistério. Antes de entender o “como” de tudo isso vamos explicar o “onde” e “porque”:

Imaginem a Califórnia dos anos 50, apesar da prosperidade econômica do pós-guerra, os Estados Unidos vivia mergulhado em um puritanismo linha dura. O suburbano homem moderno vivia estressado sonhando com o paraíso, aqui na terra muito bem representado por um grupo de ilhas anexadas meio século antes a esta nação: O Havaí.

Assim, através de um escapismo ambientado em exuberantes floras tropicais começaram a surgir os primeiros bares, restaurantes e clubes que emulavam este oásis. Um verdadeiro bote salva-vidas das pressões do mundo moderno.

Esta falsa cultura polinésia, deliciosamente kitch, se propagava pela país de uma forma avassaladora com seus totens de madeira e drinques furta-cores, agregando para sí qualquer coisa minimamente exótica. Não era difícil encontrar em um bar imagens de Moais da ilha de Páscoa, lanternas chinesas, peles e pinturas africanas…tudo era uma grande desculpa para se ver uma garota de topless com vestido hulla e argumentar certa antropologia amadora. Um gosto pelo exótico para fins educacionais. Uma desculpa Discovery Channel.

Fui questionado durante minhas peregrinações pela Califórnia em busca de bares Tikis remanescentes se não bastava ir para o Havaí. Respondo que lá era a fonte de inspiração somente, sendo um dos últimos lugares a ter um bar “havaiano”. O marketing criava o real magnetismo. Por isso dizia que minha jornada era sempre em busca da verdadeira farsa.

Posso deixar isso ainda mais exemplificado ao falar nos drinks destes ambientes. Nos anos 50/60 o Whisky e a Vodka eram as maiores vedetes e símbolos de status. Já o Rum era considerado barato e ninguém queria beber. Os donos destes paradisíacos bares começaram a criar receitas baseadas neste destilado o associando aos piratas e a sua fortíssima imagem de aventura. Logo os extravagantes drinks multicoloridos, frutados em suas canecas de totem e regados de Rum entraram para o ranking dos destilados mais procurados.

Ao longo dos tempos todas as referencias do Tiki foram se arrastando para o universo do surf e este para a vida de todos nós. Mas ainda existem algumas ilhas de excelência aonde podem se encontrar referências mais diretas e menos pasteurizadas deste universo. Este velho aventureiro que vos escreve já fez 4 edições de uma festa em São Paulo intitulada “A Caverna dos Tikis Perdidos”, o evento foi feito em parceria com Isabela Casalino uma das maiores obsessivas por Tikis que conheço e dona da loja virtual Aloha Café Surf, por onde totens, canecas e camisas havaianas nunca saem de moda.

Para levar sua camisa florida para passear posso recomendar o evento Tiki Twist todas as quintas feiras no CB Bar – São Paulo.

Dia 19/03 terá show com a imperdível banda de surf music instrumental Os Gasolines (veja um clipe). Se você tiver a oportunidade de ir, já estará se iniciando sobre o universo Tiki com o pé direito.

Aloha!

coronel_von_lehmannCoronel Von Lehmann tem seu posto avançado estabelecido em São Paulo – SP. Aventureiro e curioso por natureza, vive em pesquisas de campo a procura das melhores soluções para facilitar o dia a dia do selvagem urbano. Sempre que possível reporta suas peripécias de faça você mesmo, dicas de decoração e obsessões pessoais no blog www.reinoselvagem.com.br aonde trabalha como guia local.

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